12/07/2017 15:01h
Moradores do bairro Curió-Utinga, que participam do projeto Cultivando Flores e Vidas, visitaram nesta quarta-feira (12) praças de Belém para conhecer a importância do paisagismo no meio urbano. Na Praça Batista Campos, centro de Belém, eles puderam ver de perto as diferentes espécies de flores e plantas usadas na arborização. O projeto é executado em parceria pelo Núcleo de Articulação e Cidadania (NAC), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) e Central de Abastecimento do Estado (Ceasa).
“O curso ensina sobre a produção de flores e plantas ornamentais, mas não podemos dissociar isso do ambiente de uma praça como a Batista Campos, onde encontramos várias espécies. A visita mostra todos os benefícios que uma praça traz em termos de oxigênio, vivência, história e identidade. Queremos mostrar isso para eles para que a praça da comunidade do Curió-Utinga seja preservada e valorizada”, disse o agrônomo e instrutor Lucival Solim Carvalho Chaves.
Saindo da Batista Campos, o grupo seguiu para a Praça Amazonas, no Jurunas, e depois para a Praça da Sereia, na Avenida Presidente Vargas. A turma é composta por 25 pessoas, a maioria moradores do entorno do Parque Estadual do Utinga (Peut). As aulas terão duração de duas semanas com carga total de 40 horas. Após uma semana de aulas teóricas e da visita às praças, a partir da próxima segunda-feira (17) os participantes seguem para a Ceasa, onde vão aplicar as técnicas aprendidas.
A expectativa do projeto é contribuir com a inclusão socioprodutiva de pessoas que vivem em comunidades carentes da região metropolitana de Belém. A capacitação tem o objetivo de ampliar possibilidades de novas ocupações no setor produtivo da floricultura periurbana, fortalecendo as políticas públicas de geração de renda e a inclusão socioeconômica no município. Nesta edição, os moradores do Curió-Utinga vão aplicar os ensinamentos durante o projeto de revitalização que será implantado na comunidade do entorno do Peut.
Moradora da passagem Cruzeiro, Raimunda Paiva, 50 anos, está gostando do curso. “O meu quintal é grande, tinha muitas árvores, e agora com os aprendizados adquiridos aqui, vou replantar tudo que perdi e mais um pouco”, conta. Para o curso ela também leva o neto, Talles Henrique, de 9 anos, que adora natureza. “Já aprendi que devemos cuidar das plantas e que temos de compartilhar as coisas boas com todas as pessoas”, disse o menino. “No meu quintal temos muitos passarinhos, e é muito bom ter essa proximidade, mas também precisamos de responsabilidade”, completou a avó.
Crescimento – A primeira turma do projeto teve início em dezembro de 2011 e era formada por internos da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe). A partir de 2015 o projeto foi aberto à comunidade em geral e, desde então, cinco turmas já foram certificadas, totalizando mais de 100 pessoas. Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), em 2015 o faturamento do setor no país foi de R$ 6 bilhões, contra R$ 5,7 bilhões em 2014. No Brasil, a profissionalização e o dinamismo comercial da floricultura são fenômenos relativamente recentes. No entanto, a atividade já contabiliza números extremamente significativos.
Desde 2006 o segmento de flores tem registrado altas de 5% a 8% em volume comercializado e de 4% a 7% em valor de mercado. A produção de flores e plantas ornamentais no Brasil tem como principal destino o mercado interno, que responde por 97% da floricultura nacional. No Pará, o consumo per capta de flores ainda é baixo, com aproximadamente R$ 23 por habitante.
No último levantamento do Ibraflor, em 2015, o Brasil contava com cerca de oito mil produtores de flores e plantas. Juntos, eles cultivavam mais de 350 espécies com cerca de três mil variedades, constituindo, assim, uma importante atividade na economia brasileira, responsável, à época, por 215.818 empregos diretos, sendo 78.485 (36,37%) relativos à produção, 8.410 (3,9%) à distribuição, 120.574 (55,87%) no varejo e 8.349 (3,8%) em outras funções, a maior parte como apoio.

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Cleiton Palmeira.