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quinta-feira, 30 de março de 2017

Governo do Pará defende regularidade ambiental da indústria da carne


Representantes do Governo do Pará, de entidades e empresas da indústria da carne no estado, além de parlamentares paraenses, se reuniram em Brasília com o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, presidência e diretores do Ibama

Governo do Pará, parlamentares paraenses, entidades e empresas da indústria da carne no estado, se reuniram nesta quarta-feira, 29, em Brasília, com o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, presidência e diretores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para tratar dos desdobramentos da Operação Carne Fria. A audiência foi pedida pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA) e contou ainda com diversos membros da bancada parlamentar do Pará no Congresso Nacional.

Na semana passada, 11 frigoríficos com atuação no estado foram autuados e tiveram suas atividades suspensas sob a acusação de comprarem carnes de criadores ilegais, com produção de gado de corte em áreas embargadas. Batizada de “Carne Fria”, a operação atingiu frigoríficos nos municípios de Redenção, Rio Maria e Santana do Araguaia, no sul do estado. O senador Flexa Ribeiro abriu a reunião manifestando surpresa com a operação, que atingiu justamente a indústria que possui um robusto sistema de controle ambiental, decorrente de um compromisso real com a sustentabilidade e das políticas de gestão ambiental e transparência do Governo do Pará.

O Governo do Pará foi representado pelo secretário extraordinário do Programa Municípios Verdes, Justiniano Netto; pelo secretário Adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Thales Belo; pelo adjunto da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Afif Jawabri; e pelo diretor da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Sérgio Menezes.

Os representantes paraenses destacaram que, desde 2011, existe um completo engajamento e empenho da indústria da carne e dos produtores rurais na regularidade ambiental das suas atividades, no âmbito do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado perante o Ministério Público Federal, que prevê o controle da origem do gado. “São seis anos de negociação e aperfeiçoamento contínuo, onde a indústria tem se mostrado comprometida com o processo, inclusive custeando auditorias independentes e sistemas de monitoramento privado para garantir melhor controle e transparência das suas operações”, disse Justiniano Netto. “Não podemos desprezar anos de diálogo e construção de uma relação de confiança”, sentenciou.

Os representantes paraenses alertaram, ainda, que cerca de 60% das áreas embargadas citadas na operação referem-se a desmatamentos antigos, antes de 22 de julho de 2008, que é a data prevista no Código Florestal para determinar as áreas consolidadas para produção, não admitindo novos desmatamentos a partir de então. Além disso, foi observada a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de controle, tanto de fornecedores diretos, cujo problema apontado foi o fato do embargo do Ibama fazer o controle por CPF/CNPJ e não pelo CAR (Cadastro Ambiental Rural), quanto de fornecedores indiretos, para o qual ainda não existe uma metodologia e ferramenta de controle disponível. “Tanto assim que, em relação a fornecedores indiretos, o próprio TAC prevê que será construída uma metodologia a ser implantada de forma evolutiva, factível e gradual”, ressaltou o secretário, que fez questão de lembrar que “o Pará e a indústria paraense fazem um controle ambiental sem paralelo no Brasil e que é preciso reconhecer esse esforço”.

O secretário adjunto da Semas, Thales Belo, destacou que os frigoríficos são licenciados pelo órgão ambiental estadual e que o Ibama não comunicou, como legalmente previsto, os fatos que ensejaram a operação, até para que a Semas avaliasse a questão internamente. “Isso tem sido recorrente, o Ibama frequentemente fiscaliza empreendimentos licenciados pela Semas e não encaminha – como seria sua obrigação – as informações ao órgão licenciador. Por outro lado, encaminha assuntos de menor complexidade, onde aparentemente não tem interesse de atuar”, afirmou o secretário.

Segundo os representantes das empresas, toda a compra de gado para abate passa por rigoroso processo de identificação dos criadores e suas fazendas, todas registradas nos bancos de dados das empresas, com informações cruzadas o tempo todo para evitar problemas de má origem. “Se algum animal entrou no frigorífico proveniente de área embargada é porque um criador repassou o animal a outro, disfarçando a documentação para enganar as empresas”, disse um dos representantes de frigoríficos. “Não se pode culpar a empresa por aquilo que ela não consegue enxergar”, completou o representante.

O ministro José Sarney Filho disse que já esteve diversas vezes com o governador do Pará, Simão Jatene, e que sabe do seu compromisso com a sustentabilidade e com desenvolvimento equilibrado do Estado, reconhecendo os esforço e avanços do Pará na área. Falando pelos empresários, o presidente da União Nacional da Indústria da Carne, Francisco Victer, endossou as palavras do ministro, afirmando que o governador Simão Jatene tem enorme preocupação com o meio ambiente e consegue mediar o desenvolvimento econômico do estado com o respeito à sustentabilidade.

Por Pascoal Gemaque


segunda-feira, 20 de março de 2017

Coreia do Sul barra importação de produtos de frango da BRF

M
edida anunciada pelo governo sul-coreano tem caráter temporário e faz parte de um esforço para intensificar a fiscalização



BRF: Coreia do Sul disse que fornecedores brasileiros de carne de frango terão que enviar um certificado de saúde emitido pelo governo brasileiro
Seul – A Coreia do Sul vai intensificar a fiscalização de carne de frango importada do Brasil e banir temporariamente as vendas de produtos da BRF após o escândalo deflagrado pela Operação Carne Fraca na semana passada, informou o Ministério de Agricultura sul-coreano em comunicado nesta segunda-feira.

O ministério disse que fornecedores brasileiros de carne de frango terão que enviar um certificado de saúde emitido pelo governo brasileiro.

Na sexta-feira, especialistas ouvidos pela Reuters já manifestavam preocupações sobre o impacto do escândalo nas exportações brasileiras.

Mais de 80 por cento das 107.400 toneladas de frango importadas pela Coreia do Sul no ano passado vieram do Brasil, sendo quase metade fornecida pela BRF.

A Polícia Federal lançou na sexta-feira uma operação para desarticular uma organização criminosa envolvendo fiscais agropecuários e cerca de 40 empresas. A investigação apontou fraudes na fiscalização sanitária, com o pagamento de propina para liberação de mercadorias adulteradas e estragadas.

Uma autoridade do Ministério de Agricultura brasileiro disse, contudo, que os problemas constatados não impunham riscos aos consumidores ou às exportações.

Um executivo da BRF se entregou à polícia no sábado. Em comunicado, a empresa diz que algumas das alegações são falsas ou baseadas em mal entendido.

“A BRF nunca comercializou carne podre e nem nunca foi acusada disso”, disse a empresa, acrescentando que as menções de produtos estragados ou contaminados pela polícia estavam especificamente ligadas a frigoríficos menores sem relação com a BRF.

A Coreia do Sul baniu as importações de frango dos Estados Unidos após um caso de gripe aviária ter sido detectado em uma granja no Tennessee.

Por Reuters/Revista Exame