Relógio Humano

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domingo, 9 de abril de 2017

Detentos trabalham no plantio e cultivo de laranjas em fazenda de Capitão Poço


08/04/2017 10:33h
José Maria da Silva, 43 anos, se recorda da habilidade que tinha no cultivo da mandioca, raiz com que se produz a farinha, item sempre presente na mesa das famílias paraenses. Com pouca escolaridade, seguia uma vida tranquila no pequeno município de Augusto Corrêa, até se envolver com o mundo do crime e ser preso.
Há um ano ele e mais 13 internos que cumprem pena no regime semiaberto no Centro de Recuperação Regional de Bragança (CRRB) trabalham na Fazenda Citropar, localizada no município de Capitão Poço, que desde o ano passado utiliza a mão de obra carcerária em todos os processos agrícolas das plantações de laranja, limão e tangerina. A iniciativa inédita no Brasil é resultado do convênio entre a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) e a empresa que exporta os produtos in natura para países da Europa e Emirados Árabes.
“No começo teve muita resistência, todos tinham muito receio, os funcionários, líderes comunitários e hoje pelo contrário, todo mundo apoia. Hoje todos se sentem uma família. O trabalho deles vem sendo feito de forma muito satisfatória. É bom saber que estamos contribuindo para o encerramento de um ciclo e recomeço de uma vida nova destes homens”, afirma o empresário, dono de uma das maiores produtoras de laranja do Brasil, Júnior Zamperlini.  
A rotina começa cedo. Às seis horas os internos já estão de pé aguardando o transporte que o leva até onde é servido o café da manhã. Após a primeira refeição do dia, o responsável pela parte agrícola produtiva dá as instruções das atividades que deverão ser realizadas naquele dia. 
Os detentos participam de todo o processo do manejo do pomar: adubação manual, poda de brotos (retirada de pequenos brotos indesejáveis que nascem no pé da planta), roçagem, retirada de ervas e da colheita da laranja, limão e tangerina. Na sexta-feira, quanto o trabalho chega ao fim, os internos voltam para a unidade prisional, onde passam os finais de semana, até retornarem à cidade de Capitão Poço na segunda-feira para reiniciar mais uma semana de trabalho.
“A gente tem o nosso horário de trabalho e nosso horário de descanso. Aqui eu me sinto em liberdade. Faz bem para mim porque estou trabalhando e também para minha família, que fica mais tranquila em saber que estou bem”, conta o detento Antônio Wilson Trindade.
“Antes de ser preso eu tinha minhas atividades, mas aí veio o crime e atrapalhou tudo. Eu tenho quatro filhos lá fora e hoje minha família passa por dificuldades. Nem imagino como seria se eu não ajudasse com o dinheiro que eu ganho aqui”, relatou Paulo Ronaldo da Silva, 46.
A contratação da mão de obra gera benefícios para ambas as partes. O convênio, que não cria vínculo empregatício, é regido pela Lei de Execução Penal Brasileira, que garante o pagamento de ¾ do salário mínimo e recolhimento de 11% do INSS. Para as empresas parceiras é uma forma de investir na responsabilidade social. E para os internos é a oportunidade de recomeçar com trabalho e renda, além de reduzir o tempo de prisão, pois a cada três dias trabalhados é remido um dia da pena.
Conforme a progressão de pena dos internos, os mesmos irão ser avaliados e poderão ser contratados como funcionários pela empresa com carteira assinada e todos os direitos trabalhistas garantidos em lei. Motivo ainda maior para a dedicação daqueles que buscam conquistar o primeiro emprego formal. Este é o caso de Gabriel Brito Aviz, que agora em liberdade está sendo contratado e já virou exemplo para muitos internos.
“Eu gosto e quero trabalhar. Quando terminar de cumprir a minha pena quero continuar trabalhando na fazenda. Aqui eu sou feliz”, conta com um sorriso estampado no rosto, José Maria da Silva.
“No Brasil ainda existem muitas portas que se fecham para quem já foi preso. E ter pessoas dispostas a nos dar oportunidade é uma coisa muito boa. Com certeza quando sairmos daqui e as pessoas souberem que já fizemos este tipo de serviço, a reação será outra”, justifica o detento Ivanildo Sousa.
O superintendente do Sistema Penal do Pará, André Cunha, revela a importância de convênios como o acordado com a Citropar. “Estamos lidando com um projeto que é pioneiro no âmbito do sistema penitenciário brasileiro. Sabemos das dificuldades na concretização de parcerias como essa, para o emprego da mão de obra carcerária. Então, nós só temos a agradecer à empresa pela oportunidade que nos foi dada e a esta porta que foi aberta aos internos do sistema prisional”, enfatizou.
Antes de serem inseridos no convênio, os internos passam por uma seleção feita por uma equipe multiprofissional do centro de recuperação, que avalia as condições físicas, emocionais, sociais e de saúde de cada um. 
Parcerias
Atualmente existem 26 convênios firmados entre a Susipe e iniciativas públicas e privadas, que beneficiam cerca de 500 internos. "Dando a oportunidade de trabalho nós estamos gerando no interno o sentimento de pertencimento à sociedade novamente, além do fato de estarmos contribuindo para a segurança pública, pois quando o interno tem uma oportunidade como esta ele não volta a cometer os mesmos erros, ou seja, diminui a criminalidade”, explicou o diretor de reinserção social da Susipe, Ivaldo Capeloni.
Além de ser a primeira vez que uma empresa do ramo do agronegócio contrata a mão de obra carcerária, a iniciativa também é precursora em viabilizar aos internos do regime semiaberto o deslocamento para trabalharem em uma cidade diferente de onde cumprem a pena.
Para a juíza titular da Vara de Execução Criminal de Bragança, o fato do Poder Judiciário permitir ações como esta só reforça alguns dos seus principais papéis, que é reduzir conflitos e promover a paz. “O poder judiciário é um dos maiores incentivadores de iniciativas como esta, onde ganha todo mundo. Gera emprego, educa e faz com que os internos retornem melhor para viver em sociedade”, ressaltou.
Colaboração: Aline Saavedra
Por Timoteo Lopes

terça-feira, 14 de março de 2017

Funcacau destinará R$ 2,8 milhões para desenvolvimento da produção em 2017


 A Adepará fiscaliza comércio de sementes e mudas em Capitão Poço.
Um total de R$ 2,8 milhões do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará (Funcacau) foi liberado para execução, em 2017, de projetos voltados ao incremento da cultura do cacau no Estado. A reunião do conselho gestor do Funcacau, realizada nesta segunda-feira, 13, na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), foi a primeira deste ano sob o comando do novo presidente, o secretário Giovanni Queiroz.

O Funcacau completa em dezembro 10 anos, prazo de vigência acordado durante a criação do fundo, em 2007. Para a continuação do financiamento, os conselheiros aprovaram a prorrogação por mais 10 anos, após análise dos resultados positivos do setor. “A cacauicultura cresceu nos últimos seis anos o mesmo que em 35 anos no Pará”, avaliou o diretor de Agricultura Familiar da Sedap, Luiz Pinto. O Pará produziu em 2016, 117 mil toneladas de cacau, superando a produção da Bahia, que era o maior produtor nacional.

Os seis projetos que serão executados a partir deste ano vão permitir a capacitação de técnicos e produtores, especialmente nas áreas de defesa sanitária e gestão de negócios em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Uma das ações prioritárias para este ano é a produção de propágulos, que são materiais de propagação da cultura, como sementes e clones resistentes às doenças, cujo projeto executado há 10 anos pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) está em fase de teste em Marituba, Tomé-Açu e Medicilândia.

O investimento na infraestrutura laboratorial é também prioridade e consiste na ampliação da biofábrica da Ceplac, em Medicilândia, para produção de clones e instalação em outras regiões produtoras, para aumentar a produção de cacau com qualidade. O governo pretende instalar o Laboratório de Análise Sensorial para exame das amêndoas, hoje realizado em laboratório da Bahia.

Para transferir tecnologia aos produtores a meta é instalar três indústrias em Medicilândia, Igarapé-Miri e uma móvel para atender outras regiões. A técnica “Bean to Bar” é voltada à verticalização do cacau, da amêndoa ao chocolate.

A falta de pessoal especializado é uma das maiores dificuldades da cacauicultura paraense, principalmente na área de assistência aos produtores. O conselho aprovou a contratação de técnicos para o projeto da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que será executado até 2021, em 26 municípios, atingindo 2.400 produtores. Neste ano serão aplicados R$ 1,25 milhão e o restante do total de R$ 8,65 milhões do projeto, será destinado de acordo com a arrecadação anual do Funcacau.

O secretário Giovanni Queiroz recomendou urgência na execução das ações para manter a liderança do Pará na produção de cacau brasileira, alavancando a economia do Estado no setor. O crescimento da cadeia produtiva do cacau é uma das prioridades do projeto Pará 2030, plano estratégico do governo para promover o desenvolvimento sustentável do Estado.

Por Leni Sampaio

domingo, 12 de março de 2017

Adepará fiscaliza comércio de sementes e mudas em Capitão Poço


11/03/2017 11:47h
Após receber denúncia de possível comércio clandestino de mudas de citros em Capitão Poço, nordeste do Estado, equipes da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) foram deslocadas, na sexta-feira (10), ao município, para fiscalizar propriedades rurais. Duas fazendas foram vistoriadas, mas nenhuma irregularidade foi constatada. Para impedir o comércio clandestino, a fiscalização será mantida e intensificada, sobretudo em barreiras (fixas e móveis).
Segundo o fiscal da Adepará lotado em Capitão Poço, Engel Cichovski, que acompanhou a operação, apesar das denúncias, o plantio de citros nas duas propriedades rurais fiscalizadas estava dentro da legalidade. “Em uma não havia nada e na outra encontramos mudas de citros vindas de Sergipe, que entraram no Estado de forma legal e tinham toda a documentação exigida, conforme manda a legislação. Foram lavrados os termos de fiscalização e foram reforçadas as orientações sobre procedimentos e cuidados que devem ser adotados ao comprar e transportar sementes e mudas”, explicou.
Uma das propriedades fiscalizadas foi a do produtor Paulo Sérgio, que ficou satisfeito com a ação da Adepará. “É a fiscalização da agência que garante a manutenção da área livre de pragas, para que o produtor mantenha a qualidade do fruto, comprando sementes certificadas livre de pragas”, disse.
Para plantar, o produtor precisa adquirir sementes e mudas em estabelecimentos agropecuários que têm o Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), emitido junto ao Ministério da Agricultura, que concede o certificado aos agentes do Sistema Nacional de Sementes e Mudas, habilitando-os para exercer as atividades de armazenador, beneficiador, comerciante e produtor de sementes e mudas, produtor de mudas ou reembalador. A muda ou semente comprada de estabelecimento não habilitado tem risco de contaminação de pragas.
Segundo o fiscal Walbert Gabriel, da Gerência de Sementes e Mudas da Adepará, que também esteve na operação no nordeste paraense, as ações de fiscalização são importantes para garantir a manutenção do status de área livre de pragas em Capitão Poço e região. “Visa, principalmente, impedir a entrada de mudas e sementes provenientes de outros Estados e que não estejam certificadas pelo Ministério da Agricultura, podendo apresentar riscos sanitários, como pragas para a área livre e, assim, causar prejuízos aos produtores. As mudas devem ser adquiridas por fornecedores registrados no Renasem. Isso é uma garantia de origem das sementes, que devem vir acompanhadas do termo de conformidade”, explicou.
Capitão Poço é um dos municípios que compõem o polo citrícola certificado hoje como área livre do cancro cítrico junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A manutenção da área livre é importante, já que ela garante mercados compradores nacionais e internacionais para o que é produzido na região. Participaram da ação os fiscais da Adepará Engel Cichovski, Walbert Gabriel (Gerência de Sementes e Mudas), Jorge Goes (Gerência de Trânsito Agropecuário) e o técnico agrícola Roosevelt de Souza (Capitão Poço).
Por Camila Moreira