Companhia área faliu em 2008 e tem dívida avaliada em
cerca de R$ 5 bi.
Decisão não é definitiva e cabe recurso, diz juiz da
massa falida.
Do G1, em São Paulo
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) divulgou nesta
quarta-feira (7) que suspendeu a decisão da Justiça paulista que converteu a
recuperação judicial da Viação Aérea São Paulo (Vasp) em falência.
A companhia aérea teve a falência decretada em 2008 e tem
uma dívida avaliada em aproximadamente R$ 5 bilhões, sendo cerca de R$ 1,5
bilhão em passivos trabalhistas.
De acordo com o juiz da massa falida da empresa, Daniel
Carnio da Costa, contudo, a decisão não é definitiva e cabe recurso.
A decisão de cassar a falência é do ministro Massami
Uyeda, levando em conta a “necessidade da prevalência do princípio da preservação
da empresa em detrimento dos interesses individuais de determinados credores”.
O ministro entendeu que esses credores impediram que a empresa cumprisse em
parte o plano de recuperação judicial, “prejudicando toda a massa de credores e
de empregados da Vasp, violando, assim, o princípio da continuidade da
empresa”.
“Determinados
credores impediram que a empresa cumprisse em parte o plano de recuperação
judicial, visando à satisfação de seus interesses individuais e em manifesto
conflito de interesses com a massa falida”, diz o ministro, em nota do STF.
Carnio da Costa afirmou que ainda não foi comunicado
oficialmente da decisão, mas disse ter sido informado pelo administrador da
massa falida que é ela passível de recursos. “Quem recorre nesse processo é o administrador
judicial. Ele já está estudando as formas de interposição dos recursos”, disse.
Carlos Duque Estrada, advogado de cerca de 800
ex-funcionários da Vasp, disse que a decisão do STJ não altera em nada a ação
civil pública que corre contra a massa falida, porque ela também é contra o
grupo Canhedo (do ex-presidente da Vasp, Wagner Canhedo). A ação pede o
pagamento a cerca de 7.000 ex-funcionários, disse.
Estrada afirmou, porém, que entrará com recurso da
decisão do STJ como parte interessada – ele representa do Sindicato dos
Aeroviários do Estado de São Paulo. “Pretendemos entrar com agravo regimental”,
afirmou.
Estrada explicou que os trabalhadores que estão recebendo
pagamentos da massa falida são aqueles que trabalharam na empresa até a
decretação da falência, em 2008, mas que os demais, que saíram antes, ainda não
começaram a receber.
Leilões com objetos da companhia aérea têm sido
realizados para captação de recursos para o pagamento dos credores. Um deles
está marcado para o dia 26 de novembro, com quatro lotes de sucatas de aviões
para reciclagem. O segundo, no dia 29 de novembro, reúne 20 lotes com peças para
colecionadores.
No começo deste ano, uma aeronave Boeing 737-200 da Vasp
foi arrematada em leilão por R$ 133 mil, de acordo com informações do Tribunal
de Justiça de São Paulo. A aeronave, que era avaliada em R$ 100 mil, está
inteira, mas não tem mais licença para voar.
Do G1, em São Paulo

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