A Justiça Federal em São Paulo determinou, nesta
sexta-feira, a suspensão do envio de passaportes pela empresa DHL Brasil para
as pessoas que solicitaram visto para os Estados Unidos. A decisão judicial
acontece após uma ação dos Correios. A alegação é que a empresa viola o
monopólio postal do País, que pertence à Empresa Brasileira de Correios e
Telégrafos (ECT).
A embaixada e os consulados dos Estados Unidos no Brasil
admitem que a devolução dos passaportes dos solicitantes de visto pode demorar.
Enquanto isso, quem precisa do documento para viajar reclama da suspensão.
O programador gaúcho Felipe Lima, 27 anos, é um dos
prejudicados. Ele, que mora e trabalha em São Francisco, na Califórnia, veio ao
Brasil para visitar a família e não consegue retornar aos Estados Unidos. Por
causa de um problema com a documentação de transferência da empresa na qual
trabalha, ele precisou tirar o visto novamente. "Liguei para a DHL e eles
disseram que não podem entregar nada até a segunda ordem. Não posso nem ir lá buscar
pessoalmente", afirma.
Em nota, a DHL Express contesta a decisão da Justiça.
Para a empresa, é "descabido classificar um passaporte como carta, já que
o mesmo se trata de um documento de identidade emitido pelo governo nacional
que reconhece um determinado portador". Apesar de não deixar claro se
pretende recorrer da decisão, a empresa diz que está "tomando todas as
medidas necessárias" para resolver a situação "o mais rápido
possível".
Os Correios afirmam que o envio de passaportes é
atividade exclusiva da empresa, conforme a lei brasileira. Diz ainda que entrou
em contato com o Consulado dos Estados Unidos "para esclarecer e orientar
sobre o procedimento correto a ser adotado", mas quando o prazo concedido
para a regularização se esgotou, "os Correios tomaram as medidas judiciais
cabíveis, amparadas na lei, contra as empresas que estavam violando a
exclusividade".
"Os Correios entregavam anteriormente passaportes em
todo território nacional, sem demora ou atraso. Entre as capitais, por exemplo,
o prazo de entrega não ultrapassava dois dias úteis", afirma a empresa em
nota. Segundo o juiz Clécio Braschi, que deferiu a liminar a favor dos
Correios, "é pública e notória a qualidade, a segurança e a tempestividade
dos serviços postais" prestados pela empresa.
Por enquanto, não há uma luz no fim do túnel para quem
está esperando a devolução do documento. A própria embaixada americana não sabe
como resolver a situação e pede "paciência e compreensão". Em nota
enviada à imprensa no início da tarde desta sexta-feira, os representantes
americanos afirmam que estão buscando uma alternativa para retomar as entregas.
Felipe até desistiu de comprar a passagem de volta para
os Estados Unidos diante da indefinição sobre a situação. "Quase comprei
ontem, mas achei melhor esperar. Ainda bem que não comprei", comenta.
"Minha namorada está lá em São Francisco, meu trabalho está lá, pago o
aluguel do apartamento de lá... tudo! E eu estou preso aqui", afirma o
programador.
Atualmente, são atendidos, em média, 4 mil solicitantes
por dia nas embaixadas e consulados americanos no Brasil. A orientação para as
pessoas que agendaram entrevistas até o dia 1º de novembro é que tentem
remarcá-las pela internet. A embaixada informou que os que não puderem
reagendar, serão atendidos na próxima semana.
LUCAS ROHÃN
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