"A ideia do documentário surgiu em razão dos 30 anos da TV Cultura, porque a Casa do Gilson também vai completar 30 anos em outubro. E nada mais justo que fazermos essa homenagem ao espaço que divulga esses patrimônios culturais brasileiros: o choro e o samba. Então, decidimos reunir grandes músicos em três shows noturnos para celebrar isso", destaca Moana Mendes, diretora de produção do documentário.
Para receber a gravação, a Casa do Gilson ganhou cenários e iluminação pelos técnicos da TV Cultura, que ambientaram o espaço de acordo com a produção audiovisual. No primeiro dia de gravação serão captadas imagens da primeira geração do choro, ou seja, dos músicos mais antigos e que frequentam o espaço há mais tempo.
No segundo dia, o show será com a geração moderna do gênero, como Nego Nelson e Luiz Pardal. Já no último dia será apresentada a nova geração do choro, como o grupo "O Charme do Choro" e a violonista Camila Alves. Músicos como Paulinho Moura, Adamor do Bandolim, Luiz Pardal e Gilson Rodrigues também são entrevistados no documentário. Eles devem relembrar histórias e destacar a relação de carinho com o espaço.
"Nestes dias a casa fica fechada e vamos fazer uma grande roda de choro. Pensamos no projeto para depois ser exibido na TV Cultura e salas de cinema. Para isso utilizamos as câmeras 5D e captação de áudio de última geração para os musicais", conta Moana. A direção musical do documentário é do jornalista Guaracy Britto Júnior, com produção musical e artística de Carla Cabral e direção de fotografia de Andre Mardock. Cerca 40 profissionais da emissora estão envolvidos no projeto durante os três dias de gravações.
História
A Casa do Gilson surgiu há quase 30 anos, a partir da Casa do Choro, na rua Honório José dos Santos, no bairro do Jurunas. A Casa do Choro foi organizada pelo chorão Aldemir Ferreira, servindo como ponto de encontro dos amantes do gênero de Belém, antes espalhados pelos bairros e distritos da cidade. Após quatro anos de funcionamento, a Casa do Choro fechou suas portas, em virtude do falecimento de Aldemir.
Mas como a música não pode parar, os chorões que frequentavam o espaço, como o artista gráfico Biratan Porto, Gilson, seu pai Geraldo Rodrigues e o músico Yuri Guedelha, que aos 13 anos de idade tocava flauta no local, decidiram organizar a Casa do Gilson, para manter vivo o chorinho em Belém. "Foi uma reunião de amigos que tinham um objetivo em comum e muita paixão pela música. Foi assim que criamos a Casa do Gilson. E de lá para cá muita coisa boa aconteceu. Já
recebemos muitos cantores famosos por lá e o público começou a aparecer, frequentando o espaço até hoje", conta Gilson Rodrigues, administrador do espaço.
Em janeiro deste ano a Casa do Gilson foi reaberta, após meses de reforma, obra realizada por meio do Prêmio Funarte de incentivo à cultura. Desde 1987, portanto há quase 30 anos, o local é point para amantes do samba e choro em Belém. Inúmeros artistas consagrados já se apresentaram no local, como Paulinho da Viola, César Farias, Beth Carvalho, Sivuca e Ronaldo do Bandolim. Para celebrar as três décadas, durante todo o ano, o espaço vai oferecer shows gratuitos com os mais renomados sambistas paraenses, além de rodas de choro e muita música brasileira.
"A Casa do Gilson tem uma importância cultural muito grande para Belém e foi uma honra quando a TV Cultura resolveu gravar o documentário. Ficamos muito agradecidos por sermos lembrados nesses 30 anos. É muito difícil manter o espaço hoje em dia e somente quem gosta do choro e do samba tem a felicidade de estar aqui. A Casa tem um compromisso de carinho com essas pessoas e vamos continuar deixando ela aberta sempre", finaliza Gilson.
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Cleiton Palmeira.