A COP-18, conferência sobre as mudanças climáticas da ONU
(Organização das Nações Unidas) em Doha, no Catar, entrou nesta segunda-feira
(3) em sua fase final com a participação dos ministros de mais de 190 países
nas negociações, que devem alcançar um acordo sobre o segundo ato do protocolo
de Kyoto e a ajuda financeira aos países mais frágeis.
Os ministros, principalmente de Meio Ambiente e de
Energia, assim como cerca de 20 chefes de Estado, são esperados nesta
terça-feira (4). Eles também deverão tratar a questão da ajuda aos países mais
vulneráveis às mudanças climáticas.
Paralelamente a estes longos e complexos debates
característicos da ONU, as más notícias sobre o aquecimento do planeta
continuavam se acumulando.
Segundo um estudo recente, no ritmo em que sobem as
emissões de CO2, a mais de 3% anuais entre 2000 e 2011, o aumento da
temperatura pode superar 5 graus Celsius em 2100, ou seja, três graus a mais do
que os cientistas apresentam como o limite a partir do qual a maquinaria
climática pode se acelerar.
Por sua vez, a estimativa mais precisa realizada até a
data sobre o degelo das calotas polares mostrou que se acelerou nas últimas
duas décadas, contribuindo em 20% para o aumento dos oceanos durante este período.
"O que me frustra é que estamos muito longe do que a
ciência nos indica que devemos fazer" para conter o aquecimento,
reconheceu hoje a responsável pelo Clima das Nações Unidas, Christiana
Figueres, durante uma coletiva de imprensa. "O que me dá esperanças é que
nos últimos dois ou três anos este processo fez mais progressos do que os
obtidos nos dez anos anteriores."
Doha sedia Conferência das Mudanças do Clima da ONU
Delegados de quase
200 países chegaram terça-feira (27) ao Centro de Convenções de Doha, capital
do Catar, para o segundo dia da COP 18, Cúpula das Nações Unidas sobre as
Mudanças Climáticas, que ocorre até o próximo dia 7 de dezembro. Pesquisa da
ONU apontou que o derretimento do gelo do Ártico pode liberar bilhões de
toneladas de CO2 na atmosfera - como o montante ainda não foi computado, ele
pode afetar drasticamente o clima do planeta.
Segunda fase de Kyoto
Um dos objetivos da conferência de Doha, que termina na
próxima sexta-feira (7), é assinar o segundo ato do protocolo de Kyoto, único
instrumento legalmente vinculante que compromete os países industrializados a
reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEI), depois da expiração do
primeiro período de compromisso, no fim de dezembro.
Um acordo global, que nesta oportunidade envolveria todos
os países, incluindo os principais poluidores - Estados Unidos e China, que não
ratificaram o tratado climático -, deve ser assinado em 2015 para entrar em
vigor em 2020.
"No fim da conferência de Doha, teremos aprovado as
emendas necessárias para entrar em um segundo período de compromisso do
protocolo a partir de 1 de janeiro de 2013", sustentou Christiana.
No entanto, depois de uma semana de negociações, os
detalhes não foram resolvidos e eram registradas divergências entre a Aliança
das Pequenas Ilhas (Aosis, na sigla em inglês), muito vulneráveis ao aumento do
nível dos mares, e a União Europeia, o ator principal de Kyoto 2 depois da
renúncia do Japão, do Canadá e da Rússia.
Entre os muitos pontos de tensão, a Aosis exige que a segunda fase de Kyoto dure
apenas cinco anos, e não oito, como pede o bloco europeu, para "evitar
fixar durante muito tempo objetivos de redução de GEI que não são
suficientemente ambiciosos".
Outro ponto delicado é "o ar quente", um
superávit de cotas de emissões que os ex-países da Europa Oriental e,
sobretudo, a Polônia, herdaram de Kyoto e querem prorrogar nesta segunda fase
do protocolo.
Trata-se de um ponto crítico para muitos países e
organizações não governamentais, que consideram que esta possibilidade
desvirtuaria os resultados esperados do novo documento.
Os países em desenvolvimento pediram 60 bilhões de
dólares até 2015, para garantir uma transição entre a ajuda urgente decidida na
cúpula de Copenhague, no fim de 2009, que consistia em 30 bilhões de dólares no
período 2010-2012, e a promessa dos 100 bilhões de dólares anuais até 2020.
"Isto não parece muito provável, mas é preciso
encontrar as opções intermediárias", comentou um negociador europeu que
pediu o anonimato.
Uol noticias
Claire
Snegaroff
Em Doha
(Catar)
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Cleiton Palmeira.