BRASÍLIA - Para conseguir as autorizações, a empresa foi
obrigada a se comprometer com 18 condicionantes definidas pelo Ibama...
BRASÍLIA – A batalha travada entre os estados do Pará e
do Maranhão, que se arrasta há meses, parece ter chegado a uma solução. A
mineradora Vale conseguiu a licença de instalação para começar as obras de
expansão da Estrada de Ferro Carajás (EFC).
Mesmo diante das críticas de movimentos sociais que atuam
na região, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama) emitiu a autorização para as obras de duplicação da ferrovia
que liga Parauapebas, no Pará, ao Porto Ponta da Madeira, no Maranhão. A
licença ainda autoriza a remodelação de pátios e a implementação de viadutos e
pontes na região.
Em nota, a Vale destacou que o documento “abre caminho
para obras que totalizam 786 quilômetros (km) de extensão, com conclusão
prevista para 2017 e que incluem, entre outras, a duplicação de 559,7 km de
ferrovia”. De acordo com a assessoria de imprensa da mineradora, o órgão
ambiental também concedeu Autorização para Supressão de Vegetação (ASV).
Para conseguir as autorizações, a empresa foi obrigada a
se comprometer com 18 condicionantes definidas pelo Ibama, entre elas, a
implantação de passagem em desnível, ou seja, viadutos e passarelas de
pedestres e de passagem para animais que compõem a fauna local. A Vale também
terá que demarcar Áreas de Proteção Permanente (APPs) e definir planos e
programas ambientais como os de apoio a comunidades tradicionais, de
monitoramento e controle de ruído e de capacitação de trabalhadores no Plano
Ambiental de Construção.
Em agosto deste ano, representantes de movimentos sociais
locais conseguiram a suspensão das obras através de uma decisão judicial no
estado do Maranhão, alegando que as licenças concedidas pelo Ibama estavam
irregulares. Representantes da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH),
do Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN) e do Conselho Indigenista
Missionário (Cimi) criticavam as autorizações fracionadas da obra em pequenos
trechos, a falta de Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto
Ambiental e o fato da empresa não ter consultado as comunidades locais
previamente.
No mesmo período, a assessoria da mineradora divulgou um
calendário de apresentação do projeto para as comunidades de diferentes
municípios do Pará e do Maranhão. O objetivo, de acordo com a empresa, era
explicar questões relacionadas com programas ambientais, benefícios e outros
pontos relacionados ao empreendimento.
Pelas contas da Vale, o projeto de expansão da ferrovia
gera 2,5 mil empregos, podendo chegar a 8 mil empregos na região, nos momentos
de maior intensificação das obras. A estrada de ferro tem hoje 54 pátios de
manobra usados como desvios na circulação dos trens.
A Estrada de Ferro Carajás começou a ser construída em
1982 para transportar minério de ferro e manganês da Mina de Carajás, no Pará,
até o terminal portuário de Ponta da Madeira, em São Luís, no Maranhão, que
também pertence à Vale. O trem de minério começou a operar em 1985 e o de
passageiros, em 1986.
Agência Brasil
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Cleiton Palmeira.