Destino mais popular, neste primeiro momento, é uma
altura de 103 a 110 quilômetros, cruzando a chamada linha de Kármán (km 100),
no limite da atmosfera terrestre
O turismo espacial começa a sair do imaginário da ficção
científica para se tornar realidade. Pelo menos quatro empresas estão
investindo seriamente para levar passageiros ao espaço a "preços
populares".
As primeiras viagens estão prometidas para o final do ano
que vem, início de 2014.
Mais de 700 pessoas já compraram seus bilhetes, incluindo
pelo menos oito brasileiros. Os preços variam de US$ 95 mil a US$ 200 mil (R$
199 mil a R$ 420 mil), dependendo da companhia.
O destino mais popular, neste primeiro momento, é uma
altura de 103 a 110 quilômetros, cruzando a chamada linha de Kármán (km 100),
no limite da atmosfera terrestre.
Durante alguns minutos, será possível sentir a ausência
da gravidade e observar a curvatura da Terra.
Diferentes foguetes levarão os passageiros no voo
suborbital, experiência que deverá durar cerca de 60 minutos, incluindo a
decolagem e o pouso. As espaçonaves poderão realizar duas ou três viagens por
dia.
A Virgin Galactic, do bilionário britânico Richard
Branson, já tem até terminal em um "espaçoporto" futurístico no Novo
México (EUA), desenhado pelo renomado arquiteto Norman Foster.
Branson promete levar os primeiros
"astronautas-turistas" para o espaço no final do ano que vem em uma
espaçonave com até seis passageiros e dois tripulantes.
A viagem custa US$ 200 mil, mas a Virgin Galactic aceita
sinal a partir de US$ 20 mil (R$ 42 mil). Desde o início das vendas, 550
pessoas, de 50 países, pagaram US$ 65 milhões (R$ 136 milhões).
O engenheiro carioca Marcelo, 32, que prefere não revelar
o sobrenome por questão de segurança, já garantiu o seu bilhete, mas só deve
voar a partir do segundo ano, lá para 2015.
"Prefiro esperar para ver se vai dar tudo
certo", diz o engenheiro, que ao longo da vida flertou com a ideia de
virar astronauta. Quase cursou engenharia espacial nos EUA, mas desistiu por
razões pessoais. "Quando desisti, combinei comigo mesmo que um dia eu ia
para o espaço. Essa hora chegou, não é mais coisa de maluco."
O passeio mais barato é o da holandesa SXC (Space
Expedition Corporation), associada à companhia aérea KLM. A viagem no foguete
Lynx, com capacidade para um passageiro e um piloto, custa US$ 95 mil.
"Quando a KLM fez o seu primeiro voo, em 1920, em
Amsterdã, também só havia um passageiro a bordo", diz o presidente da SXC,
Ben Droste, que veio ao Brasil semana passada promover o passeio. "Estamos
no início de uma nova era."
Cinco bilhetes foram vendidos no país e ele acredita que
há potencial para 100.
O primeiro a garantir uma vaga com a SXC foi Wagner Dias,
42, palestrante motivacional. "No meu trabalho falo de sonhos. E, como
gosto de dar exemplos, resolvi me dar de presente a realização do meu
sonho", diz Dias.
Não é preciso aptidão para voar para o espaço. Os
passageiros passam por exames médicos, mas as empresas dizem que basta estar
saudável.
A SXC oferece, como parte da experiência, um treinamento
em um caça (ultrapassando em três vezes a velocidade do som) e com gravidade
zero. Este último acontece em um Boeing 727, num voo em que a aeronave sobe,
desce embicada e, na descida, flutua por cerca de um minuto.
Todos esses treinamentos já são oferecidos
comercialmente. Na Zero G, de Miami, por US$ 4.950 (R$ 10 mil) é possível
brincar de astronauta sem sair da Terra.
Fonte:folhapressde
São Paulo

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