Até o fim do ano, eles passam a coletar óleo de cozinha
usado para uma fábrica que recicla produtos orgânicos no município de Santa Isabel.
A parceria firmada com a Prefeitura Municipal de Belém
vai acontecer em 10 bairros, onde a coleta seletiva já ocorre. Os coletadores,
todos ex-catadores do aterro do Aura, devem receber em torno de R$ 0,40 por
litro de óleo.
Para orientar os coletadores sobre o novo trabalho, 65
agentes de educação ambiental da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan)
passam por curso de qualificação. Depois das aulas teóricas, um grupo foi conhecer a Farinorte, fábrica que
funciona no Município de Santa Isabel e que atua na reciclagem de produtos
orgânicos, como ossos de animais e óleo de cozinha usado. Lá, eles viram de
perto como é feito o processo de transformação desses produtos em adubo
orgânico e sebo, que abastece não só a região norte como também em outros estados, entre eles, São Paulo e
Maranhão.
A agente ambiental Priscila Souza acredita que a visita
ajudou na compreensão dos educadores sobre a importância do reaproveitamento de
produtos que não tem nenhuma serventia. “A partir do que vimos hoje vamos poder
repassar à população, a necessidade do armazenamento do óleo de cozinha. E aos
feirantes e comerciantes, os ossos de animais, para que não sejam mais
despejados junto com o lixo doméstico ou mesmo como entulho. Esse material deve
ser acondicionado separadamente para ser recolhido pelos caminhões da
Farinorte”.
A empresa já
existe há três anos no Estado e de acordo com o gerente geral, Rogério
Pinheiro, é 100% reciclável. “Até a lenha que abastece as nossas caldeiras são
restos de material cedidos pelas serrarias e coroços de açaí também doados por
comerciantes e fábricas. Produtos que naturalmente iam para o lixo, degradando
o meio ambiente e que hoje ajudam na reciclagem de produto orgânico”. Rogério
explica ainda que após um processo de seleção os produtos coletados são
encaminhados para fornos. Lá, o óleo, por exemplo, fica por duas horas
cozinhando até extrair o sebo, que hoje é utilizado na produção de sabão neutro
e até de bolachas recheadas no nordeste e sudeste do país.
Em Belém, o recolhimento de produtos recicláveis é
realizado pelo projeto Coleta Seletiva Porta a Porta da Sesan, que existe desde
2005. Este ano, com a intensificação do trabalho, o município recolhe, em
média, 55 toneladas/mês de materiais recicláveis. O projeto passou por uma
reformulação na estratégia de retirada dos materiais recicláveis do meio
ambiente e ainda na melhoria da qualidade de vida dos catadores que atuavam no
aterro sanitário do Aurá e hoje cobre os bairros da Pedreira, Marco, Reduto.
Umarizal, Nazaré, Marambaia, Cremação. Jurunas, Batista Campos e Sacramenta (ao
longo do Canal São Joaquim).
A coleta Porta a Porta também já foi implantada em oito
ilhas da capital: Papagaio, Grande, Nova, Combú, Murucutum, Jutuba, Paquetá e
Cacau. Os catadores recolhem os materiais recicláveis dos moradores e ainda o
lixo levado pela maré da Baia do Guajára. Duas embarcações fazem o trabalho nas
ilhas. Um trabalho pioneiro na região.
Segundo o coordenador de Departamento Técnico de Processo
da Sesan, Júnior Lago, os novos agentes de educação ambiental do órgão entram
em ação logo após a conclusão do curso, na primeira quinzena de dezembro. “Eles
ainda assistirão a uma palestra e farão uma prova teórica”, explica o servidor
da secretaria.
Texto: Ascom Sesan

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